2016-02-15

Para a Familia

Carta de despedida de Che aos seus filhos

Carta de despedida de Che aos seus filhos

Para meus filhos Prezados Hildita, Aleidita, Camilo, Celia e Ernesto:Se alguma vez têm de ler esta carta, será porque eu já não estou entre vocês. Quase não me lembrarão e os mais novos não lembrarão nada. Seu pai foi um homem que age como pensa e, seguro, foi leal às suas convicções. Cresçam como bons revolucionários. Estudem muito para poder dominar a técnica que permite dominar a natureza. Lembrem que a revolução é aquilo importante e que cada um de nós, só, não vale nada. Principalmente, sejam sempre capazes de sentir no mais profundo qualquer injustiça cometida contra qualquer um em qualquer parte do mundo. É a qualidade mais bonita de um revolucionário. Até sempre filhos, espero ainda vê-los. Um beijo muito grande e um grande abraço de Papá


Carta de despedida de Che aos seus pais,

 1 de abril de 1965 

Prezado pais:
Uma vez mais sento sob meus talões as costelas de Rocinante, retorno ao caminho com minha adarga no braço. Faz disto quase dez anos, escreveu para vocês outra carta de despedida. Segundo lembro, lamentava-me de não ser melhor soldado e melhor médico; o segundo já não me interessa, soldado não sou tão mau. Nada tem mudado em essência, salvo que sou muito mais consciente, meu marxismo está enraizado e depurado. Acretido na luta armada como única solução para os povos que lutam por se liberar e sou conseqüente com minhas crenças. Muitos vão me dizer aventureiro, e sou, só que de um tipo diferente e daqueles que põem o corpo para demonstrar suas verdades. Pode ser que esta seja a definitiva. Não o busco mas está dentro do cálculo lógico de probabilidades. Se é assim, vai um último abraço. Amei vocês muito, só que não soube expressar meu carinho, sou extremadamente rígido nas minhas ações e acho que às vezes não me entenderam. Não era fácil me entender, por outro lado, criam-me, somente, hoje. Agora, uma vontade que poli com deleitação de artista, susterá umas pernas flácidas e uns pulmões cansados. O farei. Lembrem de tanto em tanto este pequeno condotieri do século XX. Um beijo para Celia, Roberto, Juan Martín e Patotín, para Beatriz, para todos. Um grande abraço de filho pródigo e recalcitrante para vocês. Ernesto

Ernesto, Camilo, Celia e Aleidita, junto com seus pais

 

Ernesto e sua filha Celia em San Andres

 

Ernesto e Hildita

 

Casamento com Aleida, 2 de junho de 1959

 

A família Guevara de la Serna, em Mar del Plata

 

Chegada de seus pais para Cuba, 1959

 

Com sua mãe Celia